Portugal, do aperitivo à sobremesa

…Voltei muitas outras vezes e cada vez gostava mais – Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Évora, Tavira, Guimarães – e quando surgiu a oportunidade, não pensei duas vezes. Era aqui que eu queria viver o resto da minha vida. Era aqui que queria seguir os conselhos de José Saramago: “ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava ».

Viajar em Portugal. Tudo perto, tudo simples,

Tudo maravilhoso. Como é bom ver, ouvir, cheirar, comer e beber Portugal.

Ver a luz da tarde de Lisboa, os azulejos nas paredes, as vinhas das margens do Douro e ver o sol se pôr no mar. Olhar para esse mar enorme que separa e aproxima o mundo inteiro. Olhar para o mar no Cabo da Roca, ponto extremo da Europa, e imaginar navegadores indo e vindo. E cantarolar Chico Buarque, “Tanto mar, tanto mar…”.

Ouvir o fado tradicional em Alfama ou em Coimbra. E as vozes modernas do Zambujo e da Ana Moura. E ouvir as conversas nos bares e as discussões de política no rádio. E tentar adivinhar os sotaques diferentes, do norte, do sul, dos Açores.

Cheirar a sardinha assada em junho em Lisboa, a terra seca do Alentejo, as laranjas no Algarve e o alecrim por todo lado.

Comer sempre tão bem tanto na tasquinha mais simples como no Belcanto do Avillez. O bacalhau do Fialho, os frutos do mar na Ericeira, o cabrito do Solar, os percebes do Guincho, a francesinha do Porto, os doces conventuais e o pastel de Belém.

E beber vinho sempre… um Porto seco antes, um encruzado do Dão na entrada, um tinto alentejano com o bacalhau, outro Porto, agora tinto na sobremesa e uma bagaceira com o café.

Publicités